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segunda-feira, janeiro 10, 2005

Sérgio Vieira de Mello: O Provável Sucessor de Kofi Annan

Sérgio Vieira de Mello é daquelas pessoas que não devia te partido tão cedo. O seu desaparecimento foi precoce e injusto. Era um diplomata por natureza. Era apontado como o provável sucessor de Kofi Annan como Secretário-Geral da ONU.

Sérgio Vieira de Mello, nasceu no dia 15 de Março de 1948, no bairro carioca de Copacabana, onde cresceu e foi criado. Estudou no Liceu Franco-Brasileiro no Rio. Formou-se em Filosofia na Universidade de Sorbonne, em Paris. Tirou o Doutoramento em Filisofia e em Ciências Sociais.
Entrou para a ONU no ano de 1969 e começou por trabalhar na UNICEF. No mesmo ano, ingressou no Alto Comissariado, órgão que trata de refugiados da ONU.
Especialista em conflitos graves, esteve no Vietename, no Camboja, no Bangladesh, no Líbano, no Sudão, em Moçambique, no Ruanda, em Chipre, no Peru, na Jugoslávia, na Bósnia, no Kosovo, em Timor-Leste e viu a sua carreira fatalmente interrompida em Bagdad, no Iraque, como o Mais Alto Representante da ONU e o Representante do Secretário-Geral da ONU no Iraque. Depois de Timor-Leste e antes de Bagdad, foi Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, em Genebra, Suíça. Enfim, estava há mais de 30 anos na ONU. Sérgio Vieira de Mello era por excelência o homem de Kofi Annan para as zonas de conflito. Quando era necessário enviar alguém para uma zona de conflito, o primeiro nome e a primeira pessoa que acorria à cabeça de Kofi Annan era sempre o de Sérgio Vieira de Mello. Foi assim na Bósnia, no Kosovo, em Timor-Leste e agora em Bagdad.
Após ter aterrado em Bagdad, confessou a alguns jornalistas e amigos que esta seria a sua última missão ou desafio em zonas de conflito ou guerra.
A sua última entrevista foi dada dois antes do atentado ao jornal paulista “Estado de São Paulo”, na qual afirmou, em jeito brasileiro, que estar em Bagdad estava a ser uma barra bem pesasa.
Sérgio Vieira de Mello era divorciado de uma francesa e tinha dois filhos, que se encontravam em França com a mãe, e tinha iniciado uma nova relação há cerca de dois meses.
Morreu vítima de um atentado ou ataque terrorista ao quartel-general da ONU em Bagdad, na Terça-Feira, dia 19 de Agosto de 2003, por volta das 12h.30m. locais, com 55 anos de idade. O camião armadilhado com engenhos explosivos embateu contra o edíficio do Hotel Canal onde se encontrava sedeado o quartel-general da ONU em Bagdad, mesmo por baixo do gabinete de Sérgio Vieira de Mello.
Sérgio Vieira de Mello ficou imobilizado no chão com uma barra de betão sobre as suas pernas. Ainda chegou a fazer dois contactos via telemóvel, um dos quais para o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, a descrever a sua situação. Algumas das suas últimas palavras foram para pedir água, estava com sede e a sua voz já estava fraca. A última pessoa a ver Sérgio Vieira de Mello ainda com vida foi um outro funcionário da ONU, Gassim Saleme, ex-ministro do Líbano e conselheiro político de Vieira de Mello, que o avistou e o chamou pelo seu nome próprio a partir do segundo andar do edíficio. Saleme gritou “ – Sérgio!”, ao que este respondeu “ – Gassim!”. O segundo grito foi para pedir água. Pouco tempo depois deixou de atender o seu telemóvel. Quando um segurança chegou junto de Sérgio Vieira de Mello, o seu corpo já estava frio, a forte hemorragia nas pernas foi fatal.
Foi o maior atentado terrorista contra a ONU na história da instituição e o balanço é de cerca de 24 mortos confirmados, entre os quais Sérgio Vieira de Mello e o Representante da UNICEF que se encontrava de visita ao quartel-general em Bagdad, um norte-americano, uma britânica, um espanhol, um egípcio e dois filipinos, e mais de uma centena de feridos, mas pensa-se que ainda estarão cerca de 100 pessoas debaixo dos escombros, visto que na altura do atentado deviam estar pouco mais de 300 pessoas no interior no edíficio, quando lá trabalham cerca de 600.
Todas as pessoas que conheceram pessoalmente ou que conviveram de perto com Sérgio Vieira de Mello são unânimes em descrevê-lo como sendo um homem extremamente alegre, bem disposto, bem humorado, simpático, afável, inteligente, culto, elegante, charmoso, enérgico, enfim, um verdadeiro brasileiro e diplomata humanitário por natureza.
Uma das frases de Sérgio Vieira de Mello que ficou célebre no Brasil foi: “ – Quem gostaria de ver o seu país ocupado? Eu não gostaria de ver tanques estrangeiros em Copacabana.”
A mãe de Sérgio Vieira de Mello, Gilda dos Santos Vieira de Mello, de 83 anos de idade, e a sua única irmã, Sónia Vieira de Mello, receberam a triste notícia nas suas casas de Copacabana.
O Presidente do Brasil, Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva, decretou três dias de luto nacional.
O corpo de Sérgio Vieira de Mello passou pelo Rio de Janeiro, a sua terra natal, mas seguiu para França, onde moram os seus dois filhos, para ser enterrado.
O Governo de Portugal propôs ao Presidente da Républica de Portugal a condecoração póstuma a Sérgio Vieira de Mello pelos serviços prestados com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
Kofi Annan garantiu que a morte de Sérgio Vieira de Mello e dos outros funcionários da ONU em Bagdad não foi em vão, e como tal, o trabalho que já vinha sendo realizado por Sérgio Vieira de Mello em Bagdad vai continuar e a ONU vai permanecer no Iraque.
Resta referir que, tendo em conta todo o seu percurso como diplomata e humanitário ao seviço da ONU, Sérgio Vieira de Mello poderia vir a ser o sucessor de Kofi Annan no cargo de Secretário-Geral da ONU.